A transformação digital do comércio exterior brasileiro voltou ao centro das atenções. Em comunicado oficial datado de 7 de agosto de 2026, o BH Airport – Hub Logístico Multimodal informou que, naquele momento, não conseguia realizar determinadas alterações de cargas em seu terminal.
Segundo o documento, a situação ocorreu durante o processo de desabilitação do sistema MANTRA e a migração para o CCT — Controle de Carga e Trânsito.
Durante essa transição, uma funcionalidade utilizada pela transportadora deixou de operar no sistema. Como consequência, o recinto depositário passou a enfrentar limitações para alterar determinadas cargas.
Embora o problema tenha caráter operacional e temporário, o caso chama atenção para uma questão muito mais ampla: os impactos práticos da modernização dos sistemas aduaneiros brasileiros sobre as empresas que importam.
O comércio exterior evolui mais rápido do que os sistemas conseguem acompanhar
O episódio envolvendo a transição do MANTRA para o CCT não representa um problema que surgiu agora. Pelo contrário, ele evidencia um desafio antigo do comércio exterior brasileiro: a tecnologia, o mercado e as cadeias logísticas evoluem em uma velocidade muito maior do que grandes sistemas públicos conseguem acompanhar.
Atualmente, as empresas negociam com fornecedores em tempo real, acompanham cargas por plataformas digitais e tomam decisões com base em dados atualizados constantemente. Enquanto isso, a Receita Federal precisa desenvolver novas soluções, realizar testes, integrar diferentes participantes e, ao mesmo tempo, garantir que milhares de operações continuem funcionando durante cada mudança.
Por isso, seria equivocado tratar a migração do MANTRA para o CCT como um fato isolado. Na verdade, essa mudança integra uma transformação muito maior, impulsionada pela necessidade de unificar e centralizar processos que, durante anos, funcionaram em sistemas diferentes.
Nesse contexto, o Portal Único Siscomex ganha ainda mais importância. A centralização busca reduzir a fragmentação, melhorar a comunicação entre os intervenientes e reunir informações em um ambiente mais moderno. Além disso, o avanço do CCT, da DUIMP e do Novo Processo de Importação reforça uma mesma estratégia de modernização.
Portanto, o desafio vai muito além da troca do MANTRA pelo CCT. A Receita Federal precisa modernizar uma estrutura construída ao longo de décadas enquanto o comércio exterior continua operando diariamente. Dessa forma, a centralização promovida pelo Siscomex se torna essencial para aproximar a infraestrutura aduaneira brasileira da velocidade, da integração e da complexidade do comércio internacional atual.
MANTRA para CCT: o que muda no comércio exterior?
Primeiramente, é importante entender que a substituição do MANTRA não acontece de forma isolada. Na verdade, ela faz parte de um processo mais amplo de modernização promovido pelo Portal Único de Comércio Exterior.
Durante muitos anos, o MANTRA desempenhou um papel central no controle de cargas aéreas. Entretanto, o CCT Importação passou a assumir gradualmente funções relacionadas ao controle de carga e trânsito.
Além disso, a Receita Federal e o Siscomex vêm atualizando procedimentos para adaptar o comércio exterior ao novo ambiente digital.
Em março de 2024, por exemplo, o Siscomex informou que as consultas no MANTRA referentes às cargas já manifestadas no CCT Importação seriam encerradas. Dessa forma, o governo avançou mais uma etapa na substituição do sistema antigo.
Ao mesmo tempo, a Receita Federal passou a orientar que operações envolvendo cargas controladas pelo CCT utilizem funcionalidades compatíveis com o novo sistema em situações específicas de trânsito aduaneiro.
Portanto, o episódio ocorrido no BH Airport representa mais um efeito de uma transformação tecnológica que já está em andamento no comércio exterior brasileiro.
Comunicado do BH Airport aponta impacto temporário nas operações
De acordo com o comunicado enviado aos importadores, o BH Airport identificou uma impossibilidade temporária de realizar determinadas alterações de cargas em seu terminal.
O aeroporto atribuiu a situação diretamente ao processo de desabilitação do MANTRA e à migração para o CCT.
Além disso, o documento informou que, durante a transição, o sistema retirou uma funcionalidade utilizada pela transportadora. Consequentemente, o recinto depositário deixou de conseguir realizar determinados ajustes nas cargas.
Para os veículos e mercadorias que já estavam no terminal, o BH Airport informou que aguardava orientações dos órgãos competentes para prosseguir com a liberação operacional de forma regular e segura.
Ao mesmo tempo, o aeroporto afirmou que trabalhava em conjunto com a Receita Federal para acompanhar a evolução do processo e buscar alternativas capazes de normalizar as operações o mais rapidamente possível.
Assim, o caso mostra de maneira clara que uma alteração sistêmica pode gerar consequências imediatas na operação logística.
Por que essa mudança merece atenção dos importadores?
À primeira vista, a migração de um sistema para outro pode parecer apenas uma mudança administrativa.
Entretanto, na prática, qualquer alteração tecnológica pode afetar diretamente o fluxo de uma importação.
Isso acontece porque uma operação internacional depende da integração entre diversos agentes. Entre eles estão transportadores, recintos alfandegados, despachantes, órgãos públicos, companhias aéreas, terminais e os próprios importadores.
Por isso, quando um sistema deixa de executar determinada funcionalidade, todo o restante da cadeia pode sentir os efeitos.
Entre os possíveis impactos estão:
- aumento do tempo de permanência da carga no recinto;
- necessidade de ajustes documentais ou operacionais;
- mudanças no planejamento do trânsito aduaneiro;
- atrasos nos prazos de entrega;
- necessidade de comunicação entre importador, transportador, recinto e despachante;
- possíveis custos adicionais decorrentes de atrasos operacionais.
Naturalmente, nem todas as operações enfrentarão esses problemas. Ainda assim, o episódio reforça a importância de acompanhar de perto qualquer mudança durante períodos de transição tecnológica.
Além disso, empresas que dependem de prazos curtos precisam redobrar a atenção, principalmente quando trabalham com estoque reduzido, produção sob demanda ou contratos com datas de entrega rígidas.
CCT, DUIMP e Portal Único fazem parte da mesma transformação
Além da substituição do MANTRA, o governo brasileiro também avança com o Novo Processo de Importação.
Nesse contexto, a Declaração Única de Importação — DUIMP ocupa uma posição central.
A Receita Federal implementa a DUIMP de forma escalonada, considerando características das operações, tipos de mercadorias e participação de órgãos anuentes.
Consequentemente, os importadores vivem atualmente um período de transição. Enquanto alguns processos já utilizam novas ferramentas, outros ainda dependem de sistemas antigos ou de procedimentos que permanecem ativos durante a migração.
Além disso, o cronograma oficial do Portal Único prevê o avanço progressivo da DUIMP e, paralelamente, o desligamento gradual da antiga Declaração de Importação — DI.
Portanto, as empresas precisam acompanhar dois movimentos ao mesmo tempo: a entrada de novos sistemas e a retirada gradual de ferramentas antigas.
Esse cenário exige atenção constante, pois qualquer mudança de etapa pode alterar procedimentos que empresas, despachantes e operadores logísticos utilizam há anos.
A modernização busca tornar o comércio exterior mais eficiente
Apesar dos desafios durante a transição, o objetivo da modernização é tornar o comércio exterior brasileiro mais integrado e eficiente.
O Portal Único procura centralizar informações, reduzir redundâncias, melhorar a comunicação entre os intervenientes e simplificar procedimentos.
Além disso, a digitalização tende a diminuir etapas manuais e ampliar a integração entre os diferentes órgãos responsáveis pelo controle das operações internacionais.
Entretanto, uma transformação dessa dimensão exige adaptações.
Enquanto os novos sistemas entram em operação, empresas, operadores logísticos e recintos alfandegados precisam atualizar procedimentos, treinar equipes e revisar fluxos internos.
Consequentemente, dificuldades pontuais podem surgir durante esse processo.
Por isso, empresas que importam precisam acompanhar as mudanças não apenas pelo ponto de vista regulatório, mas também pelo impacto operacional.
O desafio não é apenas tecnológico
Nesse cenário, o principal desafio para os importadores não está somente na tecnologia.
Na verdade, a maior dificuldade está na gestão da operação durante a mudança.
Por exemplo, uma empresa pode negociar corretamente com o fornecedor, contratar o transporte internacional, preparar a documentação e planejar os tributos.
Ainda assim, uma alteração em um sistema governamental pode exigir novas providências durante o processo.
Além disso, problemas tecnológicos podem interferir no trânsito da carga, na liberação documental ou na comunicação entre os diferentes participantes da operação.
Por essa razão, acompanhar apenas a data prevista de chegada da mercadoria já não é suficiente.
Agora, as empresas também precisam observar:
- mudanças no Siscomex;
- atualizações do CCT Importação;
- cronogramas de implementação da DUIMP;
- orientações da Receita Federal;
- exigências dos órgãos anuentes;
- procedimentos adotados pelos recintos alfandegados.
Dessa forma, o acompanhamento regulatório passa a fazer parte do próprio planejamento logístico.
BH Airport reforça sua atuação como hub logístico
O episódio também ganha relevância por envolver um terminal importante para a movimentação de cargas no país.
Nos últimos anos, o BH Airport ampliou sua atuação como Hub Logístico Multimodal.
Entre outras soluções, o terminal trabalha com operações que permitem a movimentação de cargas entre diferentes recintos alfandegados antes da nacionalização.
Esse modelo amplia as alternativas disponíveis para importadores e operadores logísticos.
Entretanto, justamente por integrar diferentes etapas do transporte e do processo aduaneiro, o terminal também depende diretamente do funcionamento dos sistemas governamentais.
Por isso, qualquer alteração relacionada ao controle de carga e trânsito pode exigir adaptações rápidas.
Consequentemente, empresas que utilizam essa estrutura precisam acompanhar tanto os comunicados do aeroporto quanto as orientações da Receita Federal.
O que os importadores devem fazer durante essa transição?
Diante desse cenário, três pontos ganham ainda mais importância: informação, planejamento e acompanhamento operacional.
Primeiramente, o importador deve manter contato constante com seu operador logístico, despachante aduaneiro e assessoria de comércio exterior.
Além disso, a empresa precisa acompanhar as comunicações oficiais dos órgãos envolvidos.
Também é importante revisar prazos e considerar possíveis margens de segurança durante períodos de mudanças sistêmicas.
Da mesma forma, empresas que dependem de reposições rápidas devem avaliar o impacto de eventuais atrasos sobre seus estoques.
Outro ponto importante envolve o planejamento financeiro. Afinal, quando uma carga permanece mais tempo do que o previsto em determinado recinto, custos adicionais podem surgir.
Por isso, quanto mais cedo a empresa identificar um risco operacional, maior será sua capacidade de buscar alternativas.
Importadores precisam olhar além do embarque
O caso do BH Airport reforça uma realidade que muitas empresas ainda ignoram: a importação não termina quando a mercadoria chega ao Brasil.
Depois do embarque internacional, outras etapas continuam exigindo atenção.
O importador ainda precisa acompanhar a chegada da carga, o trânsito aduaneiro, o armazenamento, o desembaraço e a liberação da mercadoria.
Além disso, mudanças regulatórias ou tecnológicas podem interferir em qualquer uma dessas fases.
Por essa razão, uma estratégia de importação eficiente precisa considerar toda a cadeia.
Em outras palavras, não basta comprar bem no exterior. A empresa também precisa administrar corretamente o processo até que a mercadoria chegue ao destino final.
Mudanças no comércio exterior exigem cada vez mais planejamento
A transição entre MANTRA e CCT reforça uma mensagem importante para o mercado.
O comércio exterior brasileiro passa por uma das maiores transformações tecnológicas dos últimos anos.
Ao mesmo tempo em que o governo amplia a utilização do Portal Único, avança com a DUIMP e substitui sistemas antigos, empresas precisam adaptar seus processos internos.
Naturalmente, a modernização tende a trazer ganhos no longo prazo. Entretanto, durante a implementação, períodos de adaptação podem gerar dificuldades operacionais.
Por isso, empresas que importam precisam acompanhar cada mudança e avaliar rapidamente seus possíveis impactos.
Quanto maior a complexidade da operação, maior também deve ser o nível de planejamento.
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Além de acompanhar os aspectos documentais, a MVM ajuda o empresário a compreender cada etapa da operação e identificar riscos antes que eles provoquem impactos maiores.
Se sua empresa já importa ou pretende começar a importar, contar com acompanhamento especializado pode fazer toda a diferença, principalmente em momentos de mudanças regulatórias e operacionais.
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Fontes
Receita Federal do Brasil — Controle e Trânsito Aduaneiro
Portal Único Siscomex — Cronograma de Implementação
Siscomex — CCT Importação e MANTRA
Siscomex — Cronograma de Ligamento da DUIMP
BH Airport — Hub Logístico Multimodal
